quinta-feira, 30 de junho de 2011

O legado do amor

Olho para o legado do cristianismo e fico preocupado. Patrocinamos guerras em nome de Deus, perseguimos outras raças, acreditando que estávamos contribuindo para um mundo melhor, apedrejamos os homossexuais, deixando claro que eles não são “dignos” do Reino dos Céus e, cada vez mais, pregamos uma moral baseada em falatório e não em atitudes. Mas onde está o legado do amor? Não nos ensina a palavra que aquele que ama tem obedecido a Cristo?

Quando ainda éramos pecadores, separados de Deus por causa de nossa rebeldia, fraqueza e desvios, fomos alcançados pela o poder que há em Jesus Cristo. Ele, de braços abertos, não olhara para nossa imundice. Éramos como leprosos, que habitavam no lado de fora das grandes muralhas das antigas cidades, não éramos bem vistos, nem bem vindos, só um ato de pura misericórdia poderia nos congregar ao povo, o qual habitava seguro e separado, por dentro dos muros. Vivíamos uma vida sem esperança.

A pergunta que mais me intriga é: Quando perdemos a noção de que um dia também estávamos separados pelo o muro do pecado? Depois de anos vivenciando a religião, depois de confortáveis décadas habitadas no maravilhoso Reino, esquecemos que no passado, também sofríamos dos males do pecado. No aconchego do cristianismo, esquecemos que fora a misericórdia de Cristo, e só ela, que nos trouxe para o mundo da vida eterna, acreditando firmemente que fomos salvos por sermos “um povo melhor”, distorcendo a verdade de que Deus escolhera a todos para a abundante vida da graça, e acreditando na mentira de que apenas alguns foram eleitos, olhando para os “leprosos”, ao lado de fora dos muros do Reino de Cristo, com certa arrogância e desprezo.

Ainda pensando na analogia da cidade protegida por muros, onde os doentes de lepra estão separados dos que estão livres deste mal, podemos entender melhor o poder do amor de Cristo. Jesus, o Grande Rei, adorado por todo o universo, olhou para além das muralhas e compadeceu-se dos separados pelo muro. Ele, diferentemente de nós, meros súditos, deixou toda a sua glória, todo o seu conforto e amou aqueles os quais estavam tristes por não poderem adentrar a Santa Cidade. Cristo não olhou para os pecados, não questionou seus vícios, não os acusou de erro algum, apenas estendeu a mão, dando-lhes novas vestes, convidando-os agora para um grande banquete em seu reino. Jesus, ao contrario de nós, não julgou, condenou ou constrangeu a ninguém, apenas lhes ofereceu o seu amor, não pediu nada em troca, pelo contrário, Ele mesmo se entregou, Ele tomou a nossa “lepra”, acabando morto pela a doença que deveria ter nos matado.

Preocupo-me com o poder destrutivo da religião e seus dogmas. Preocupo-me com minha conduta de fariseu, pronto pra condenar, tardio para se arrepender. Entretanto, ainda acredito no poder do amor, ainda deposito minha fé no amor sacrificial e gratuito de Cristo Jesus. O amor é o maior legado deixado por nosso maravilhoso Rei.

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